O Espetáculo Teatral escolhido para ser debatido nesta noite pela Professora Santana foi o Infantil "O DIÁRIO DA BRUXA" do Grupo Proposta de Teatro de Timon (Até onde sei. O fato é que a companhia só tem atores de Teresina). Aqui recorremos a já tão citada frase de Constantin Stanislavsky: “o teatro para criança tem que ser igual ao do adulto, só que melhor”. O arremedo histérico de Dona Bruxa ressucitada pelo ator Vitorino Rodrigues não caiu bem. Quem viveu a efervescência cultural há alguns anos sabe que a Bruxa de O DIÁRIO DA BRUXA é a mesma Bruxa de DONA BRUXA FAZ A FESTA. Usar personagem do repertório em uma adaptação própria mais pareceu um plágio do que uma homenagem ao saudoso Grupo Alla de Teatro e Dança. Num momento em que a dramaturgia contemporânea toma força, quando a narrativa oral cênica domina os palcos e os contadores de história sobem à cena, utilizando recursos teatrais, fica uma impressão de que tudo pode. E realmente tudo pode, desde que seja intencional e competente. (O que não me parece o caso!). Quanto à adaptação é tosca. Na verdade, a dramaturgia se insere num grande campo que é o da qualidade, o da excelência. O texto tem que ter qualidade e, como se diz do cinema, um bom roteiro não significa necessariamente um bom filme, mas não há um bom filme sem um bom roteiro. O mesmo se pode dizer do texto teatral e do espetáculo. Mas não nos alonguemos sobre o Texto afinal, a excelência de um trabalho não se restringe à dramaturgia, mas à preparação do ator, do trabalho de estudo e pesquisa, a excelência de uma luz, um cenário, um figurino, a pluralidade de linguagens que “tecem” o espetáculo teatral. Tudo isto "O DIÁRIO DA BRUXA não possui. Desculpem-me se estou sendo grosseira e invasiva mas o elenco (que são 2) não é dos melhores. A Fada interpretada por Giselle Moraes é triste e amedontradora. Ana Cristina construiu uma fada mais serelepe mas ainda sem êxito dentro da costura de Roger Ribeiro que dirigiu bem o espetáculo: Limpo, econômico e de corte simples. José Dantas e Márcio Felipe dividem o mesmo personagem (E CERTAMENTE O CARINHO DO PROTAGONISTA) mas embora possuidores de uma beleza digna de Príncipe não convencem. É a velha questão – um cirurgião consciente, profissional, jamais entraria numa sala de operações sem estar preparado para isso, pois é a vida de uma pessoa em risco. O artista também é responsável pela vida das pessoas. Tem responsabilidade social, principalmente sendo uma pessoa da área da cultura, da arte. O novo espectador também corre o risco de morrer ali, na sala de espetáculos, no seu primeiro contato com o teatro, da mesma maneira que o paciente corre o mesmo risco numa sala de operações com um médico não preparado.

Não discuto suas considerações sobre o espetáculo. A arte é servida à plateia e ela saboreia, digere ou não digere. Apenas acho que uma boa crítica deve ser pautada em argumentos sólidos, ética e imparcialidade. Especialmente que críticas deste porte sejam pautadas em questões artísticas.
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