sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Senhores sem Reinado


“O Senhor Rei mandou me chamar lá no Paço Municipal para saudar a Rainha que estava chegando...” ¹
1º lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia Infantil na década de 70. Esta é a principal referência que temos do Texto de Benjamim Santos dirigido por Lorena Campelo e Encenado pelo Grupo Raízes de Teatro. O que se vê no palco, na maioria das vezes, e o que se lê nos textos em concursos ou em Cursos de Dramaturgia, aponta para um desconhecimento dos alicerces clássicos primeiros da dramaturgia. Aristóteles, Hegel vivem! Eternos? Eternos enquanto durem, parodiando “o poeta”. Porém, para que se desconstrua essa narrativa em busca de novos caminhos e de novas possibilidades é imprescindível que se conheça e se domine o que já existe. O novo se cria como conseqüência, ou mesmo ruptura, de uma História.
 Lorena Campelo , infelizmente, não conseguiu inovar na já tão batida história de Romeu e Julieta. Em “Senhor Rei e Senhora Rainha” o público é levado para o país das cartas onde de um lado tem o Rei de Espadas e do outro a Rainha de Copas. No meio deles o romance Proibido de seus filhos, interpretados por Marina Marques (a “REVELAÇÃO” teatral do momento) e Eliziânio Pedro (QUEM???). O texto além de ser surpreendente mexe com adultos e crianças. A direção não conseguiu deixar o espetáculo tão saboroso quanto o texto de Benjamim (Santos).
A única coisa surpreendente no espetáculo, fora o texto que já falamos, são os Figurinos, Adereços e o Cenário. O colorido que Wilson Costa deu a esses itens atrai a atenção do público. E só! Este é o caminho: ter algo incontido para dizer. Como dizer é uma questão de estudo, análise, busca, aprofundamento, lembrando que criança é coisa séria e que escrever para criança mais sério ainda e fazer teatro então... é de uma seriedade absoluta. Wilson Costa Conseguiu!
 Por outro lado, exigir qualidade sem que haja apoio às produções, sem que haja uma política cultura oficial de promoção do teatro, sem um trabalho permanente de formação de platéia, sem premiações que estimulem os realizadores e sem espaço na mídia para discussão  é uma sobrevivência quase heróica. De um lado, os realizadores que pensam e repensam a sua prática, do outro lado aqueles que fazem e fazem por diferentes razões. O que não impede de trazer qualidade ao espetáculo. O elenco não possui atores e uma só atriz (Edite Rosa) não consegue SOZINHA segurar 45 minutos de espetáculo.
 Vejam o Elenco: Marina Marques, Kelly Campelo, Eliziânio Pedro, Edite Rosa, Rosemary Santos, Nathália Chaves e Kristina Pilla. Conhecem??? Não sou contra a nova geração de atores, até admiro muitos, desde que estejam preparados para subir ao palco, afinal o palco é um todo, uma presença, uma voz, um jeito, uma luz. Penso que um espetáculo para crianças será tão mais interessante quanto mais prazeroso for ao instigar para a descoberta, ao fazer do exercício cênico espaço de pesquisa e de experimentação compartilhada, e não depositário de respostas claramente prontas e fechadas, muitas vezes sob a máscara de uma diversão de rotina, bem distante daquele prazer do conhecimento de que nos falava Bertolt Brecht.
Cabe-nos, para tal, perguntar: em que está contribuindo nossa produção para aquela influência sobre a maturação, a socialização, a percepção, o conhecimento dessas crianças? Que uso podem fazer nossas crianças e adolescentes com o que lhe oferecemos para organizar e interpretar suas experiências?


1. Rainha de Tamba - Alceu Valença

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