“Passar a mão na cabeça não é bom para o espetáculo” já dizia Barbara Heliodora e eu gostaria de começar nossa análise de hoje com essa Frase. Hoje decidi tecer algumas palavras sobre o espetáculo “ DONA FLOR E SEU ÚNICO FUTURO MARIDO” de Jean Pessoa e dirigido pelo Próprio Jean Pessoa. Aí já temos início a confusão. Jean Pessoa é Ator, Autor e Diretor. Uma quase comparação faremos aqui à Adalmir Miranda que encheu a Ficha técnica de ALVÁRO DE CAMPOS EM PESSOA com seu próprio nome. A diferença é que Miranda tinha cacife pra acumular funções. O que não pude perceber em Jean. Ao longo da história do teatro podemos observar várias funções. Temos o profano e o religioso, o educativo e o de entretenimento, o político e o alienante, o da arte pela arte. Não consegui enquadrar o DONA FLOR E SEU ÚNICO FUTURO MARIDO em nenhum desses lugares. A formação do ator para espaços abertos não foi contundente no espetáculo deixando roucos atores que ainda primam pela máxima de fazer a velhinha escutar. A princípio o espetáculo se dava com 2 atores e 2Mariachi, figuras populares na cultura musical mexicana e de nenhuma relação com a Bahia de Jorge Amado. Depois, na tentativa de atrair os olhares entra em cena Rafaella Fontenelle num personagem baseado na comicidade de Tom Cavalcante. ÀS vezes até me lembra o Zacarias. Entendo o humor como qualquer mensagem - expressa por atos, palavras, escritos, imagens ou músicas - cuja intenção é a de provocar o riso ou um sorriso. O que a personagem Dona Cansansão Não consegue. Entre as influências na estética do teatro de rua, além da já citada commedia dell’arte, é forte a presença da exuberância visual do circo tradicional e a incomparável habilidade de comunicação de manifestações populares como o maracatu – folguedo nordestino, sobretudo da região de Pernambuco. É possível usar várias formas de linguagem no teatro de rua por exemplo: gestos da mímica no lugar de palavras e até as circenses pernas-de-pau, que servem para fazer a personagem crescer em cena, literalmente. Essas linguagens são muito atrativas para o público e importantes para o ator de rua. Nada disso encontrei no espetáculo que designei-me a analisar. Alguém encontrou? Mas aí vai uma dica aos atores do Grupo Sinos de Teatro: “Esta tarde, tire a máscara da face e improvise” – não
é Senhor Pirandello?

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