Atualmente em cartaz a peça Meu último amor acabou antes de ontem, escrita e dirigida por Júnior Marks, jovem dramaturgo que, este ano, foi ganhador do Festival de Teatro no Ceará na categoria de melhor ator com Vitorino Rodrigues por meio de “17 minutos antes de você”, traz aos palcos as dores e os dilemas da geração que está entre o final dos vinte anos e o início dos trinta, quando os projetos que haviam sido delineados na primeira juventude tomam direções (im)previstas e acabam por levar a novos questionamentos e a experiências que colocarão em xeque certezas estabelecidas.
Com uma montagem que segue os padrões de uma leitura de texto, apresentando cenário que se resume a quatro cadeiras e alguns objetos de cena e figurinos compostos por roupas comuns, de uso cotidiano, a peça segue a linha dos últimos textos escritos e encenados pela novíssima geração de autores/diretores: produções de baixo custo, que têm no arranjo dramatúrgico desafiador e no desempenho dos atores seu foco principal. Era assim que deveria ser! Acontece que o espetáculo não foi dirigido. A Impressão que tenho é que os atores foram jogados no palco e passaram a tagarelar o texto. Marks cria um confessionário que sempre pende o espetáculo para um lado do palco. Os atores não conseguem nem mesmo ser ouvidos!
A Melhor apresentação deste trabalho (que possui um bom propósito) foi dentro do Projeto “TEATRO POPULAR R$1,99”. Ali o Elenco estava afinado e todos os adolescentes (público alvo da peça) conseguiram se apaixonar pela “gostosa” protagonista que hoje foi trocada e não passa de um estereótipo das passarelas (MAGRA E SEM GRAÇA). Gostaria que avisassem ao diretor deste espetáculo que ele não é DIRETOR. É Ator, SÓ ISSO! No caso de Meu último amor acabou antes de ontem, as ideias se organizam como o resultado de POUQUÍSSIMO trabalho proposto por um grupo de atores diante de um texto que querem montar, no qual alguns personagens da mesma faixa etária dos intérpretes se veem diante de dilemas amorosos e profissionais típicos da geração que está se iniciando no processo de maturidade. Isto significa que a peça vai tangenciar temas como a insatisfação profissional, a dificuldade de se ter um projeto comum numa vida a dois, a união homoafetiva e o sexo casual.
Digo tangenciar porque o objetivo do texto não é explorar em profundidade essas temáticas ou propor análises mais sólidas de comportamento; ao contrário, seu alvo é a própria afirmação da instabilidade e da impossibilidade de se pensar em termos mais firmes e fixos a aventura humana abordada. E se recusa a “ser profundo”!
Eu adoro teatro. Então, apesar dos pesares, ainda tenho a esperança de que vá acontecer algo. No momento, as çoisas realmente andam muito ruins, sem estímulo. Os próprios patrocínios nem sempre são suficientemente criteriosos, muitas vezes se dá dinheiro para çoisas que não valem nada, e outras coisas que estão esperando desesperadamente para serem bem-feitas, não o conseguem. Acho que precisaria haver mais preocupação com a qualidade. Já vi muitas loucuras, algumas por "originalidade", outras só por incompetência. Sempre digo que, hoje, época em que o preço do ingresso do teatro não está lá essas coisas, um mau espetáculo cria um voto de castidade por dois anos. Prejudica todo mundo. A pessoa não perdoa! Meu último amor acabou antes de ontem já deveria ter ACABADO há mais tempo.
P.S.:Elenco atual: Adriana Campelo, Flávia Souza, Jerônimo Maciel, Junior Marks e Eristóteles Pegado. É uma pena eu não saber QUEM ERAM os atores do elenco anterior! Alguns permanecem! Para a TRAGÉDIA da peça, outros saíram!

Nenhum comentário:
Postar um comentário