Gostaria de entender como se dá o processo de montagem de espetáculos em algumas companhias. Principalmente no que se refere ao quesito TEATRO-DANÇA ou DANÇA-TEATRO como preferirem e como preferiu Rudolf Von Laban, autor do termo que em alemão é "Tanztheather". Não é possível determinar tão precisamente os limites dessa “categoria” uma vez que sua essência designa justamente o trânsito “livre” entre os limites do teatro e da dança, como eram vistos. Ou seja, a manifestação cênica que se coloca naquela região de intersecção entre o teatro e a dança acaba por propor uma abordagem de DANÇA-TEATRO ou TEATRO-DANÇA.
O fato é que “piauiensemente” falando encontrei nesta categoria um espetáculo de dança-teatro que atraiu minha atenção.Refiro-me ao espetáculo DUO EM TRIPÉ, idealizado pelo bailarino, coreógrafo e agora, Produtor Cultural, Luís Carlos Vale. O dueto é uma união entre o bailarino e uma portadora de necessidades especias, Meirilane Dutra. Evidentemente que num espetáculo desta natureza os corpos ganham consciência de si próprios e expressividade através de repetições de gestos, palavras e experiências. Duo em tripé ate tenta fazer isso com maestria mas não logra êxito com a presença da cadeirante Meirilane Dutra. Não pelo fato de ser deficiente física (e é bom que isso fique claro) mas pelo fato de não ser atriz, ou no mínimo não ter tido preparação eficaz para assumir tal função no espetáculo.
O teatro tem a sua essência na linguagem verbal. A dança tem sua essência no corpo humano. Ele é o seu principal instrumento de expressão. A dança-teatro unifica esses dois elementos. O corpo é o texto dos dançarinos-atores. Luís Carlos Vale também não consegue ser ator dentro da proposta mas dança muito bem. O trabalho procura oportunizar as pessoas com deficiência a desenvolver e expor seus potenciais artísticos, elevando a auto-estima. Isso é maravilhoso desde que haja um trabalho significativo anteriormente.
Os figurinos do Dueto também é algo que precisa ser citado. As roupas e adereços mais parecem ter saído do guarda-roupa pessoal dos “interprétes-criadores” e isso não dá beleza ao trabalho. E beleza é essencial. Afinal, estamos falando de ARTE. Mas volto atrás no quesito figurinos com relação as roupas de noite. Essa parte da indumentária sugere um jogo irônico através de papéis sociais que completam o desmedido espaço cênico. Algo à La Pina Bausch (E não me venham falar que não conhecem Pina Bausch assim como fizeram com Bárbara Heliodora). Se essa foi a intenção. PARABÉNS! Acertaram!
O fato é que o pilar fundamental da dança-teatro é unir a dança e o teatro pelo seu ponto mais conflitante para daí surgir um espetáculo. Continuo à espera de DUO EM TRIPÉ.
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