sábado, 10 de dezembro de 2011

CAJU DE OURO





Não tem jeito, fim de ano é mesmo época de balanços, ganhos e perdas, melhores e piores. O ano teve suas peculiaridades: certamente, não se fala mais em globalização do mesmo modo que se falava antes do 11 de setembro. A dicotomia Oriente/Ocidente tomou face nova, mediações se impondo, bandidos e mocinhos, vítimas e heróis se confundindo. Argentina e Brasil não se regem mais pelos antagonismos tradicionais, antes dividem medos similares. As dicotomias cada vez dão menos conta do que se passa mundo afora e unanimidade só mesmo em torno da facilidade de encontrarmos piores momentos do ano. Em alguns casos, como no Teatro Piauiense, difícil é desempatar.



Surpreendentemente, porém, na contramão da enxurrada de piores do ano, veio, porém, nosso Teatro. Remando valente, sobreviveu a crises, a desvalorizações do real, aos cortes de gastos . Bravamente reagiu à política a favor da ignorância nacional, autorizada e institucionalizada, comandada pessoalmente por nossa Ministra da Cultura. 

Não adianta chorar e nem espernear. O Caju de Ouro é implacável: os piores do ano foram escolhidos. Mas para a surpresa de uma boa parcela dos teatrólogos piauienses - e detratores - de plantão, alguns candidatos considerados favoritos não incluem nossa lista. Abaixo a Lista dos indicados: 

PIOR ESPETÁCULO 

· O Diário da Bruxa – Grupo Proposta de Teatro 

· Sol Sanguíneo – Grupo Indigentes de Teatro 

· A Rainha do Rádio – Cia. De Dramas e Comédias 

· Apareceu a Margarida – Grupo Mosay de Teatro 

PIOR ATOR 

· Francisco Borges 

· Franklin Pires 

· Eristóteles Pegado 

· Vitorino Rodrigues 

PIOR ATRIZ 

· Nayara Fabrícia 

· Lari Sales 

· Marina Marques 

· Giselle Moraes 

PIOR DIRETOR 

· Roger Ribeiro – Um brasileiro no céu 

· Avelar Amorim – Em todos os trabalhos 

· Maneco Nascimento – Sol Sanguíneo 

· Jean Pessoa – Dona Flor e seu único futuro marido 

PIOR TEXTO CÊNICO 

· O Diário da Bruxa – Vitorino Rodrigues 

· O Amor de Romário e Espoleta – Clóves Monturil 

· Dona Flor e seu único futuro marido – Jean Pessoa 

· Duo em Tripé- OPEQ 

PIOR FIGURINO 

· Meu último Amor acabou antes de ontem 

· O Amor de Romário e Espoleta 

· Sol Sanguíneo 

· Um brasileiro no céu 



Conheceremos os grandes vencedores deste Prêmio INÉDITO em Teresina no dia 30 de dezembro. Façam suas apostas. Você pode votar em todas as categorias na enquete ao lado (Sugestão do amigo LUCIANO BRANDÃO). Afinal, na hora do desempate, até o nó da gravata pode interferir na escolha. Fique Ligado!


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

NÃO SERIA MELHOR PELO DIAFRAGMA?





Adelaide Fontana, apresentadora de um programa de poesias de uma rádio do interior que, após 25 anos trabalhando, é demitida por usar sua voz para expressar suas idéias, o que, para uma sociedade interiorana e preconceituosa torna-se um problema. 

A locutora fica inconformada com a demissão e coloca no ar seu último programa, no qual revela várias tramóias e podres de uma família que dominava a cidade. Uma Sinopse convincente.Nos dá vontade de assistir, mas quando chegamos ao teatro... 

Lari Sales, a DIVA do teatro piauiense, vive seu declínio. Uma Pena! A vontade de ser atriz, que já centralizava as fantasias de Lari desde a infância, misturou-se com a sensualidade descoberta na juventude. O resultado é uma sólida carreira de 31 anos, em que os pontos altos são as atuações em Apareceu a Margarida, e Itararé, a República dos desvalidos. 

Seu recente trabalho, A RAINHA DO RÁDIO mostra todo o oposto que Lari construiu ao longo desses mais de 30 anos. Mostra uma Atriz despreparada física e cenicamente. A respiração (Que deve ser absolutamente controlada pelo ator) é completamente utilizada sem técnica. O que acontece? Esqueceu truques Cênicos Lari? Pois as aulas sei que não faltou! Libório era exigente. Eu me lembro bem, as primeiras aulas foram sobre respiração e projeção da voz. Nós primeiro tivemos de descobrir onde ficava o diafragma, o músculo que separa o tórax do abdome e controla a respiração. Até que não foi difícil: quatro dedos acima do umbigo, lá estava o diafragma. 

Segunda lição: ao inspirar, a barriguinha estufa. Ao expirar, a barriguinha murcha. Nada de ombros pra cima nem peito arfando. 

Foi um pouco complicado, depois de tantos anos agindo segundo um conceito de que é necessário “encher o peito de ar”, respirar com o peito imóvel e a barriga pra dentro e pra fora, pra dentro e pra fora. Dava uma sensação de estar morrendo afogada – além da dor muscular na barriga. 

Ficavamos com a palma da mão encostada na barriga do colega ao lado, sentindo a utilização do diafragma ao respirar. Era engraçadíssimo: tem gente que MEXE A BARRIGA, mas não respira, fica sem ar e então enche o peito. Tem gente que não consegue mexer a barriga no mesmo ritmo da respiração. É uma prática cansativa, porém é o jeito natural de respirar. “Basta observar um bebê dormindo”, o diretor dizia. “A barriguinha dele sobe e desce, ritmada. Nós, com ombros tensos, coluna torta, sentados o dia inteiro, estressados, ficamos com a respiração curta, aqui no alto” – e ele batia no próprio colo. 

A RAINHA DO RÁDIO de de José Safiotti Filho, com direção e interpretação de Lari Salles é atualizada para aproximar o espectador da região teresinense. Ao invés do Belíssimos Poemas de Carlos Drummond de Andrade, a direção põe em cena poemas de Graça Vilhena, Marleide Lins e outros poetas piauienses. Vale a pena assistir o espetáculo SOMENTE por causa da Sonoplastia do ilustríssimo José Dantas. Isto em apresentações que a própria Lari não opera o som por que quando isso acontece a atriz se embanana e torna pior o que já estava ruim. 

Afinal, não consigo entender como Adelaide Fontana possua em 1960 um controle Remoto! Sim, a peça nos faz acreditar que estamos em 1960 pois sugere alguns fatos que marcaram a época, principalmente no tocante às questões políticas e sociais. Mas mudar faixa de controle remoto em 1960 é um tanto inverossímil, já que o artefato só surgiu em 1977. Enfim, além das dores abdominais, ficou uma piada interna. Toda vez que alguém diz “Respira pelo diafragma!”, a pessoa responde “Não seria melhor pelo nariz?”

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

DE BOTA NÃO ENTRA NO CÉU!



Um anjo louco e sem noção é o porteiro do céu e tenta de todo jeito barrar a entrada de um brasileiro lá no reino do Senhor. O pobre homem, depois de uma vida de humilhações, acha que conseguirá um bom lugar para passar a eternidade, mas é literalmente infernizado pelo anjo. Foi assim que Natacha Maranhão definiu a sinopse do espetáculo. Em síntese é isso. A peça de Carlos B. Filho apresentou 3 montagens não muito diferentes uma das outras. E isto é um Caos! Quando Roger Ribeiro reestreou o espetáculo não conseguiu dar um desenho dramatúrgico novo para dificuldades que o brasileiro (Hoje Júnior Marks) enfrenta ao tentar convencer o anjo (Sempre Vitorino Rodrigues) que merece entrar no céu. Mesmo assim, a peça assume um caráter simples, uma vez que POUCOS cenários, POUCOS figurinos, POUCA luz e MUITO som compõem a Concepção Cênica. O Elenco atual é bem afinado. Afinal, a SEMPRE dobradinha entre Marks e Rodrigues vem convencendo as Platéias da região. Aconteceu assim em “17 Minutos antes de você” e agora em “Um brasileiro no céu”. Ouso-me a dizer que o trabalho da dupla é referência de um teatro comprometido, engajado e atento à alegria do palco. Ciele Monteiro também funcionava muito bem dentro do espetáculo, de maneira que não conseguimos estabelecer limites entre ela e Marks, ambos funcionam muito bem, dificultando o título de quem melhor interpreta a personagem. Vitorino Rodrigues também convence com seu anjo afeminado, mesmo que texto verbal e texto corporal nem sempre coincidem sublinhando muitas vezes um trabalho de oposição no tratamento dado à relação corpo-palavra. Quanto ao vício de direção teatral de Roger Ribeiro, desta vez ele não teve bons resultados. Não vi nada dirigido! O encenador ou diretor de teatro é o agente que dentro da prática teatral imagina, concebe e dirige o processo de criação do espetáculo. Cabe igualmente ao diretor selecionar, julgar e coordenar os trabalhos dos membros da equipe artística, incentivando-os e adequando suas iniciativas na pesquisa por uma linguagem cênica comum. Cumpre ainda ao diretor teatral discutir, refletir e implementar medidas adequadas à produção material do espetáculo. A dica é CUIDADO! Para se entrar no céu tem que ser de caráter limpo e ter bom pensamento por que é preciso Black tie DE BOTA NÃO ENTRA!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

RECOMEÇAR!





"Começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido, ter me rebelado, ter me debatido, ter me machucado, ter sobrevivido, ter virado a mesa, ter me conhecido, ter virado o barco, ter me socorrido; Começar de novo e só contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido, sem as tuas garras sempre tão seguras, sem o teu fantasma, sem tua moldura, sem tuas escoras, sem o teu domínio, sem tuas esporas, sem o teu fascínio. Começar de novo e só contar comigo, vai valer a pena já ter te esquecido. Começar de novo..."


A vitória não é decidida pelas vezes em que você tropeça ou é derrubado, mas pela velocidade em que você se levanta. Você não deve aguardar que jamais aconteçam contrariedades. As pessoas vitoriosas obtém o sucesso, mesmo tendo problemas. 
Se você permitir-se envolver no ódio, na auto-piedade e pessimismo, esses sentimentos só irão aumentar as dificuldades e contribuírem para aumentar o fracasso. É isso que você deseja? Claro que não!
Então, levante-se novamente. Retorne ao jogo da vida, ultrapasse esses desafios, prossiga no plantio da bondade, do trabalho e da simpatia; e realize isso agora! Quanto antes você se superar, mais alegria e progresso você obterá em sua existência.
É fácil resmungar e ficar aflito quando se passa por uma decepção. Fácil e completamente sem utilidade. As pessoas procuram muitas vezes descobrir alguma coisa ou pessoa em quem possam lançar a culpa de seus erros ou problemas. Mas essa prática não costuma resolver as questões da vida.
Quando algo nos derruba, a melhor solução é nos levantarmos e começar novamente no bem. Ficar reclamando e responsabilizando outras pessoas pelas dificuldades que estamos passando, só nos atrapalha a levantarmos e renovarmos nosso destino. Essa atitude realmente é uma grande perda de tempo e de recursos valiosos.
Quando perceber que está perdendo seu tempo com reclamações e acusações infrutíferas, cesse por alguns momentos suas atividades e faça essas perguntas a si mesmo: “Qual atitude posso tomar para resolver este problema? Quais os passos a serem tomados? O que me fará superar essa situação?”.
Deixe que as outras pessoas gastem o tempo com reclamações sem proveito, culpando-se uns aos outros. Há milhões de indivíduos se ocupando com esta prática. Você, por sua vez, faça a diferença. Erga-se, mantenha-se firme no rumo do progresso, dos grandes e nobres ideais. E rumo à vitória você estará indo!

Há um jeito muito melhor de se levar a vida
Muitos não sabem, mas há uma forma maravilhosa de se viver. Vemos em todos os lugares, pessoas caminhando com seus olhos tristonhos e sem luz própria, sem entusiasmo. Muitos estão usando suas vozes apenas para repassarem mensagens de pessimismo e derrota. Muitos não correspondem a uma saudação, a um sorriso, a uma mensagem elevada e nobre.
Essa forma de viver vem tornando as pessoas tristes e desanimadas. Mas hoje é sempre o melhor dia de revermos nossos conceitos, adquirir novos e bons hábitos, que trarão bom ânimo e bem-estar ao nosso viver. Repita com alegria essas palavras abaixo e permita que elas tragam um novo alento e felicidade aos seus dias e esqueça, de uma vez por todas, tudo aquilo que te fazia sofrer e se afligir:
“Essa é uma declaração que faço a mim mesmo:
Decidi ser feliz e trabalhar na realização de meus mais belos e nobres projetos e ideais.
A partir de hoje, levantarei a cada novo dia com alegria em meu coração, agradecendo ao Pai Celestial por essa benção tão sublime que é a graça de um novo amanhecer!
Cultivarei o sorriso e o bom ânimo, afirmando como sou alegre por ter a dádiva da vida. Muitos ficam correndo em busca da felicidade e alegria, mas não sabem como encontrá-las. Como mariposas se debatendo em volta da luz de luz de um poste, se agitando e afligindo em todo o tempo. Uns buscam o casamento na procura da alegria e outros se divorciam na busca desta mesma alegria. Uns acumulam tesouros para terem felicidade e outros apostam que a fama e poder os tornarão pessoas felizes. Uma procura sem fim, tempo gasto sem proveito. Enquanto se empenham em buscar a felicidade nos bens e coisas materiais, a tristeza é a companhia de suas noites.


(extraído da obra: Sinal Verde - de Francisco Cândido Xavier)


domingo, 16 de outubro de 2011

Entrando na História!




Para Durkheim o termo suicídio é aplicado a todos os casos de morte resultantes direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo da própria vítima que ela sabe que produzirá tal resultado. Grandes estrelas suicidam-se sabiam? É isto que faço neste momento. A Morte de alguém que amamos (OU ODIAMOS) é sempre uma SURPRESA! Com a minha morte desaparece aquela que entre nós, foi “a Lady da Crítica Teatral”, com certa dose de brincadeira mas com grande fundamento na realidade. Tornei-me o símbolo de um rigor que cultivou antipatias no meio teatral piauiense. As palavras duras que dirigi às produções que não me agradam (“leitura óbvia”, “texto confuso e gratuito”, “direção agitada”, “montagem desastrada”) sobressaíram em relação aos elogios que volta e meia distribuí sem economia. Fiquei carimbada como uma crítica severa e durona.


A importância de reconhecer a responsabilidade ao se escrever artigos sobre peças teatrais e se entregar à dúvida e ao questionamento. Dois dos principais objetivos de uma crítica teatral são propagar a reflexão sobre um espetáculo de teatro e mapear o momento histórico pelo qual passa o teatro, independente de julgamentos, em busca única da descrição da cena contemporânea ao crítico. Em artigo de Sábato Magaldi lemos que a crítica comete muitos erros de avaliação, mas são equívocos necessários para propagar a reflexão acerca dos novos fenômenos teatrais, ponto que vai de acordo com as ideias da dramaturga Marici Salomão, de que a crítica é uma das bases da percepção, discussão e difusão de novos caminhos das artes cênicas.


Não quero com esse texto glorificar a atividade que acabo de abandonar seria no mínimo pedante e pretensioso, mas, antes, reconhecer a responsabilidade que carreguei ao assinar meus artigos e, por isso mesmo, me entreguei à dúvida, ao questionamento constante. Em lugar do autoritário “isso pode” e “isso não pode”, reconhecer que o teatro é território livre, em que quaisquer experimentações são possíveis e que, concordando ou discordando do fenômeno teatral que se critica, é necessário o embasamento teórico de Sábato Magaldi, crítico e pesquisador de teatro experiências, vividas ou apreendidas em leituras, para se tecer o texto que, aliás, nada deseja ser definitivo, mas, tão-somente, uma alavanca para a discussão sobre tal fenômeno, já que segundo diz o diretor inglês Peter Brook “o verdadeiro bom teatro só tem inicio ao cair do pano”. É preciso refletir, sobretudo, “o que é?” e “para quem é dirigida?” a crítica teatral. É preciso diferenciar a crítica teatral dos materiais de divulgação de um espetáculo. (LEMBREM-SE DISSO SEMPRE!)


Suicido-me e escrevo agora para despedir-me de vocês, fãs que me acompanharam e atores que me odiaram. E parafraseando Vargas digo: Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam , insultam ; não me combatem , caluniam-me ; não me dão o direito de defesa . Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação para , para que eu continue a defender como sempre defendi o povo e principalmente os humildes .Sigo o destino que me é imposto. Agora ofereço a minha morte . Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da Eternidade e saio “das redes sociais” para entrar na história!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um amor que ja deveria ter acabado!




Atualmente em cartaz a peça Meu último amor acabou antes de ontem, escrita e dirigida por Júnior Marks, jovem dramaturgo que, este ano, foi ganhador do Festival de Teatro no Ceará na categoria de melhor ator com Vitorino Rodrigues por meio de “17 minutos antes de você”, traz aos palcos as dores e os dilemas da geração que está entre o final dos vinte anos e o início dos trinta, quando os projetos que haviam sido delineados na primeira juventude tomam direções (im)previstas e acabam por levar a novos questionamentos e a experiências que colocarão em xeque certezas estabelecidas.


Com uma montagem que segue os padrões de uma leitura de texto, apresentando cenário que se resume a quatro cadeiras e alguns objetos de cena e figurinos compostos por roupas comuns, de uso cotidiano, a peça segue a linha dos últimos textos escritos e encenados pela novíssima geração de autores/diretores: produções de baixo custo, que têm no arranjo dramatúrgico desafiador e no desempenho dos atores seu foco principal. Era assim que deveria ser! Acontece que o espetáculo não foi dirigido. A Impressão que tenho é que os atores foram jogados no palco e passaram a tagarelar o texto. Marks cria um confessionário que sempre pende o espetáculo para um lado do palco. Os atores não conseguem nem mesmo ser ouvidos!


A Melhor apresentação deste trabalho (que possui um bom propósito) foi dentro do Projeto “TEATRO POPULAR R$1,99”. Ali o Elenco estava afinado e todos os adolescentes (público alvo da peça) conseguiram se apaixonar pela “gostosa” protagonista que hoje foi trocada e não passa de um estereótipo das passarelas (MAGRA E SEM GRAÇA). Gostaria que avisassem ao diretor deste espetáculo que ele não é DIRETOR. É Ator, SÓ ISSO! No caso de Meu último amor acabou antes de ontem, as ideias se organizam como o resultado de POUQUÍSSIMO trabalho proposto por um grupo de atores diante de um texto que querem montar, no qual alguns personagens da mesma faixa etária dos intérpretes se veem diante de dilemas amorosos e profissionais típicos da geração que está se iniciando no processo de maturidade. Isto significa que a peça vai tangenciar temas como a insatisfação profissional, a dificuldade de se ter um projeto comum numa vida a dois, a união homoafetiva e o sexo casual.


Digo tangenciar porque o objetivo do texto não é explorar em profundidade essas temáticas ou propor análises mais sólidas de comportamento; ao contrário, seu alvo é a própria afirmação da instabilidade e da impossibilidade de se pensar em termos mais firmes e fixos a aventura humana abordada. E se recusa a “ser profundo”!


Eu adoro teatro. Então, apesar dos pesares, ainda tenho a esperança de que vá acontecer algo. No momento, as çoisas realmente andam muito ruins, sem estímulo. Os próprios patrocínios nem sempre são suficientemente criteriosos, muitas vezes se dá dinheiro para çoisas que não valem nada, e outras coisas que estão esperando desesperadamente para serem bem-feitas, não o conseguem. Acho que precisaria haver mais preocupação com a qualidade. Já vi muitas loucuras, algumas por "originalidade", outras só por incompetência. Sempre digo que, hoje, época em que o preço do ingresso do teatro não está lá essas coisas, um mau espetáculo cria um voto de castidade por dois anos. Prejudica todo mundo. A pessoa não perdoa! Meu último amor acabou antes de ontem já deveria ter ACABADO há mais tempo.


P.S.:Elenco atual: Adriana Campelo, Flávia Souza, Jerônimo Maciel, Junior Marks e Eristóteles Pegado. É uma pena eu não saber QUEM ERAM os atores do elenco anterior! Alguns permanecem! Para a TRAGÉDIA da peça, outros saíram!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O AUTO EM ALTA!


Quando comecei toda essa MINHA História no Facebook, Silmara Silva me deixou uma mensagem dizendo assim:  "Bem Vinda Professora Santana, a senhora surge em meio a necessidade do "dizer" artístico, em meio ao caos cênico nosso de cada dia". Devolvo-lhe a frase e digo ao "O AUTO DA FOLIA DE REIS":  O Teatro de vocês surge em meio a necessidade do "dizer" artístico, em meio ao caos cênico nosso de cada dia! Nas últimas décadas, tem se apresentado uma nova abordagem para o ensino artístico a qual procura delimitar um corpo de conteúdos próprio para a disciplina. Mas nunca se foi tão longe ao se pensar que um espetáculo de Teatro pudesse vir a ser uma aula. Foi isso que fez o Ator e Diretor de Teatro Adalmir Miranda quando trouxe pra cena piauiense o espetáculo “O AUTO DA FOLIA DE REIS”.
O que se pode observar é que o ensino de Arte, nesse ponto de vista, pretende reunir à função formativa do ensino artístico um caráter epistemológico. Além do objetivo de promover uma experiência expressiva e propiciar noções básicas da linguagem, vem reivindicando para si a atribuição de investigar a natureza do fenômeno artístico-estético, como ele acontece e se produz, sistematizando suas relações. Portanto, embutida neste ESPETÁCULO, encontra-se uma investigação sobre o ato artístico. Paira uma questão sobre quais as condições que tornam um fenômeno qualquer, seja som, linha, movimento, ação ou palavra, em evento artístico. O AUTO DA FOLIA DE REIS pretende sobretudo refletir sobre a existência do fato teatral na rua (E AQUI SIM PUDE VER TEATRO DE RUA PURO). Fazer um levantamento sobre as condições básicas da teatralidade, e procurá-las nas dinâmicas com os atores para assinalar que potencialmente a “aula de teatro é Teatro”.
Que bom seria que todos os atores teresinenses pudessem assistir a esta aula proposta por Miranda. Ainda me incomoda a previsibilidade mantida na peça. E SÓ! Quando coloco o espetáculo mencionado na categoria de AULA PARA ATORES é por que em toda aula de teatro há exercícios de improvisação, jogos teatrais, jogos dramáticos ou trabalhos que envolvem o uso do corpo, como consciência corporal ou movimento expressivo. Em todas estas situações, está explícita a intenção de estabelecer, temporariamente, um espaço em que não seja a “vida real”, onde seja possível produzir uma outra realidade e assumir outras personalidades.O AUTO DA FOLIA DE REIS possui tudo isso (E MUITO MAIS!). Por exemplo, em atividade conhecida de Viola Spolin, pesquisadora norte-americana que investigou e sistematizou um método de criação teatral baseado em exercícios improvisacionais denominado Jogos Teatrais, em que o grupo de alunos recebe o nome de um jogo que terão de representar com uma bola imaginária. Embora todos estejam na sala de aula, os alunos devem escolher movimentos que os façam movimentar-se como se eles estivessem em um campo com uma bola real. Naquele momento, os integrantes da aula assumem que a sala possa ser uma quadra de futebol ou basquete ou o jogo que seja. Dentre tantos outros personagens maravilhosos que “O AUTO DA FOLIA DE REIS” apresenta para o público Infanto-juvenil,  os Atores de Miranda assumem a Rua como um espaço para os caretas, a cigana, a burrinha, a ema, o pião, a piaba e até ALTAR.
 Miranda junto com seu elenco (Adalmir Miranda, Avelar Amorim, Eristóteles Pegado, Laila Caddah, Nayara Fabrícia, Silmara Sila e Vítor Sampaio) nos leva a empenhar-nos cada vez mais contra os “produtos de mercado” de desqualificados produtores, que partem de estapafúrdias tramas misturando Peter Pans e tartarugas ninjas, ou pseudo-adaptações de contos clássicos, ou fiapos de enredo que sirvam de pretexto a macaquices, trejeitos, pulinhos e gritinhos de atores promovidos por um “marketing” que visa apenas a bilheteria, e nunca a criança que está na platéia, ou o jovem que cada vez mais dela se afasta. E a valorizar cada vez mais os que, conscientes de trabalhar com uma linguagem da maior riqueza e expressividade, e de grande atualidade, saibam e queiram usá-la para exibir e suscitar o rico potencial humano que ela faz ver. Além do prêmio de olhares atentos e curiosos da Platéia, O AUTO DA FOLIA DE REIS foi contemplado com o Prêmio da Funarte de Teatro Miriam Muniz.
 A busca pelo local do nascimento de Jesus é feita com muita música, cantigas de rodas, personagens do reisado piauiense e principalmente com a alegria do Clown. "No clown, a gente propõe o resgate da alegria, da pureza, da ingenuidade, de um estado interno em que tudo é visto como se fosse a primeira vez" (Paoli-Quito, 1998). E assim foi feito em O AUTO DA FOLIA DE REIS. Ia finalizando sem mencionar o mais importante.O espectador é o outro que aceita compartilhar deste mundo em suspensão criado pelos atores e assume a convenção da linha imaginária que institui os atuantes e os observadores. Neste relacionamento, a rede de sentimentos e reações que se estabelece no momento do encontro é que atribui o caráter único da Folia de Miranda. Quem ainda não viu, vai fazer Folia com o Grupo Corpos de Teatro as 18h30 de hoje na Praça Pedro II. Parabéns ao Grupo que a meu ver, entendeu o teatro, como a forma de arte, que contribui para o crescimento pessoal e o alargamento do olhar de qualquer ser humano em formação. Afirmaria mesmo que o hábito de ir ao teatro desde cedo ajuda qualquer criança a crescer melhor. E – por que não? – mais rápido. Mas eu estou falando de TEATRO, entre outras palavras, O AUTO DA FOLIA DE REIS.